domingo, 7 de junho de 2009

Eu era o cara do compre Várzea Grande



Muito do que faço não é de fácil compreensão.
Duro, pragmático, insensível. Espinhoso.
Careço de entendimento por padecer na vontade de viver artisticamente.
Hoje vejo que todo o trabalho que tenho para proporcionar maiores chances
nesse caminho só me afasta, dia a dia, do objetivo original.
Não sou presente, não compareço a shows nem festas.
Não participo mais de grupos, não organizo eventos. Não ajudo bandas,
não assisto ensaios, não pratico em casa.
Quis fazer a vida ser ainda mais salgada para um dia, quem sabe,
gozar da felicidade de estar entre os que gosto, fazer o que quero, ter a chance de produzir aquilo que creio conseguir. Criei responsabilidades, assumi compromissos.

Não sou gênio, não tenho dons. Dediquei-me muito quando mais novo e isso me levou a algum lugar. Hoje sou diletante. Quem tem a chance de conviver com minhas produções possui consciência da decadência iminente. Não busquei fama, nem reconhecimento. Busquei fazer o que acreditava valer a pena: criar, tocar em bandas, me divertir, conhecer e viver com pessoas que valem a pena. E tive muito sucesso nisso tudo.

Vejo pessoas que seguem rumos similares aos meus e que, com o passar dos anos, se tornaram meus heróis e inspiração. Cito alguns aqui, por conta de minha necessidade em ser sincero com o que acredito: José Augusto “Cavalo”, André Salvador, Ricardo Felippo, Fabrício Roder, Rodrigo Lopes, Carlos Lobo, Luiz Paulo Magrão, Rodrigo Zuca, Jéferson Cói, Beto Loco, Gustavo Adriano (com quem aprendi a compor).
Rafael Pereira e Abner (meus reais professores).
Há muitos mais que aprecio neste caminho, mas quis citar alguns dos que me fazem acreditar que vale a pena: meus amigos músicos e musicistas.
[sim, faltam alguns de vocês aí]

E eles me fazem pensar na justiça.
O que é justiça?
O que é ser justo?

Um grande amigo, arquiteto-poeta, disse uma vez que eu era uma pessoa muito justa.
E isso trazia muito sofrimento aos que convivem comigo.
Hoje eu concordo em gênero, número, grau e marca de cerveja.

Não sou tecnicamente bom. Alguns de meus melhores alunos (parei de lecionar há anos) indiquei a professores de verdade, tenho consciência das minhas limitações.

Hoje recebi um prêmio, por júri popular, pela segunda vez em minha vida.
Não fiquei só emocionado (riam carniceiros: chorei), mas abalado. Não abracei meus amigos, não festejei o agrado de ter pessoas que gostam de coisas similares a mim, não participei. Sequer estive lá para agradecer... e isso dói. Dói lutar para ser algo e, quando vejo que estou começando a me tornar, já tenho a certeza intrínseca de que não vai durar. Dói receber a ligação de um amigo, e exemplo pessoal, e ter que recusar o convite de estar na presença dele e dos demais. Já pedi uma vez que compreendessem que eu iria parar. Não o fiz, mas também não estou continuando com dedicação real.

Gostaria de deixar aqui minha posição a alguns dos que “concorriam” comigo.
Ricardo Felippo, Sidney Duarte, Danilo Bareiro, Leôncio Salles e Manoel Izidoro: Vocês sabem que escolha de público não significa nada a respeito de quem sabe ou não tocar. Vocês sabem, de verdade, que a escolha por júri popular sempre será tendenciosa e digna apenas de análise de gosto pessoal, absolutamente não-técnico. Continuarei apreciando e me inspirando no trabalho de cada um de vocês, e, para constar, votei no Felippo. Aos demais que concorriam, creio que estávamos todos um degrau abaixo dos que citei acima.

Quanto ao público, aos que votaram, aos amigos que celebraram comigo e por mim: muito obrigado, de coração. Tenham todos longa vida, que a música continue sendo motivo para que vocês façam grandes amizades e conheçam pessoas boas.

Ankh
Aos que não entenderam a imagem: sim, eu era o cara do compre Várzea Grande. Foi uma campanha do CDL local, todos achavam a camiseta ridícula. Eu tinha umas sete, só usei elas por uns dois anos.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Hail à não linearidade das coisas

Enquanto o saber se envolve ao ignorante afeto pela auto-destruição, muralhas são erguidas com cartas de baralho - todas coringas - não confiáveis, aguardando o vento do verbo a proferir sua queda.

Em um pretexto fútil, frágil e quase ilógico, a carreira toma partida como o frango que foge à panela. Sem tormentas, o equilíbrio, além de simples, é insôsso, sem tempêro, mas consegue equipar a mente com racionalidade.

Ankh
alguns meses antes de hoje - em 2009

segunda-feira, 9 de março de 2009

Arte.
Viver em arte.

Partes:
Uma viva, outra fria;
realiza, sonha
quer ser compreendida.

Mas, no fim das contas, só gera discórdia.
Gostaria de não ser tão complicado, de não ter falhado.

Isso não é um lamento, é uma análise para cambiar direções.
E, novamente, ver aves livres voarem mais alto.

Ankh
o pé-plantado.

Foo Fighters - Come Back


Moving again
Comfort of the chase
Now and again
This my saving grace
Dead on the inside I've got nothing to prove
Keep me alive and give me something to lose
Goodbye this time I'm leaving you
I've been gone so long
So gone so long
But I will come back
Changes changing
Back and forth again
Trading places
Strangers in the end
Dead on the inside I've got nothing to prove
Keep me alive and give me something to lose
Goodbye this time I'm leaving you
I've been gone so long
So gone so long
But I will come back
I will come back for you

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Nada disso é parte do que sou, eu não faço parte desse show.

Este fim de semana foi um dos melhores que já tive musicalmente.
Ensaios, planos, duas apresentações – sendo uma em outra cidade.

Foi ótimo! - Uma verdadeira honra.

Serei grato, pela vida toda, pelos bons momentos e dedicação de cada um que me proporcionou tal felicidade.
Agora é hora de baixar as bandeiras que não sigo e respeitar as diferenças de quem as ostenta.

Pelo trabalho, pela vontade, pela disposição: sejam todos muitos felizes!

Ankh
26-02-2009
obs.: o título é frase do refrão de "Show Sinistro", da banda cuiabana Strauss.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Cortando Raízes

Falta faz estar presente
Seja etílico ou comparsa
Se o esforço é ser produto
Se a vontade já é desgraça

Alimenta a fome d’outro
Se esgueira por palavras
Já não tenta ser si próprio
Só importa com a manada

Canta
Vibra
Grita: não diz nada.
Pasta
Bebe
Urra: pau mandado.

Vai cansado da charrete
Já não agüenta o sol que arde
Se no rosto a lama bate
Puxa a corda e aperta o passo

Busca então um resultado
Não se importa qual o preço
Se seu filho perde o berço
Se da esposa perde o abraço.


Ankh
13-02-2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"Guerrear pela paz é como fazer sexo pela virgindade"


Falsas bandeiras rasgadas, jogadas ao chão
De um jogo-esforço inútil: cegos em adoração
O peito ardendo em fúria só resgata a corrente:
- paz e liberdade?

(o fogo é fátuo)
Enfrentar palavras com o rosto em riste
(não nos traz ao tempo)
Incentivar o ato consciente e são
Despejar coragem se o fim se esmera
Todo fanatismo é incoerente e mal

(Jogue ao chão)
Viver não é seguir
(falsos ideais)
Ouvir e conhecer
(Incentivar a ação)
E só então saber
Mas se há preconceito a destruição é igual

Quem?
Quem é igual?
Em cada ser vivo
Haver abrigo
Sustentar morada
Derrubar muralhas

Nos olhos fracos (quem?)
Nos sentimentos sujos (quem?)
Nas atitudes poucas
E se há preconceito a destruição é igual

Lavar as mãos
Fechar os olhos
Lamber as botas e morrer sorrindo
O caminho é curto pra quem busca a sorte
Se vender é o preço dos que não se empenham
Ser produto é o fato
Esquecimento: o legado.

Ankh
Criado em 2005 ou 2006, originalmente como uma composição da Venial de nome "Falsas Bandeiras Rasgadas".
Engavetada.