segunda-feira, 9 de março de 2009

Arte.
Viver em arte.

Partes:
Uma viva, outra fria;
realiza, sonha
quer ser compreendida.

Mas, no fim das contas, só gera discórdia.
Gostaria de não ser tão complicado, de não ter falhado.

Isso não é um lamento, é uma análise para cambiar direções.
E, novamente, ver aves livres voarem mais alto.

Ankh
o pé-plantado.

Foo Fighters - Come Back


Moving again
Comfort of the chase
Now and again
This my saving grace
Dead on the inside I've got nothing to prove
Keep me alive and give me something to lose
Goodbye this time I'm leaving you
I've been gone so long
So gone so long
But I will come back
Changes changing
Back and forth again
Trading places
Strangers in the end
Dead on the inside I've got nothing to prove
Keep me alive and give me something to lose
Goodbye this time I'm leaving you
I've been gone so long
So gone so long
But I will come back
I will come back for you

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Nada disso é parte do que sou, eu não faço parte desse show.

Este fim de semana foi um dos melhores que já tive musicalmente.
Ensaios, planos, duas apresentações – sendo uma em outra cidade.

Foi ótimo! - Uma verdadeira honra.

Serei grato, pela vida toda, pelos bons momentos e dedicação de cada um que me proporcionou tal felicidade.
Agora é hora de baixar as bandeiras que não sigo e respeitar as diferenças de quem as ostenta.

Pelo trabalho, pela vontade, pela disposição: sejam todos muitos felizes!

Ankh
26-02-2009
obs.: o título é frase do refrão de "Show Sinistro", da banda cuiabana Strauss.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Cortando Raízes

Falta faz estar presente
Seja etílico ou comparsa
Se o esforço é ser produto
Se a vontade já é desgraça

Alimenta a fome d’outro
Se esgueira por palavras
Já não tenta ser si próprio
Só importa com a manada

Canta
Vibra
Grita: não diz nada.
Pasta
Bebe
Urra: pau mandado.

Vai cansado da charrete
Já não agüenta o sol que arde
Se no rosto a lama bate
Puxa a corda e aperta o passo

Busca então um resultado
Não se importa qual o preço
Se seu filho perde o berço
Se da esposa perde o abraço.


Ankh
13-02-2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"Guerrear pela paz é como fazer sexo pela virgindade"


Falsas bandeiras rasgadas, jogadas ao chão
De um jogo-esforço inútil: cegos em adoração
O peito ardendo em fúria só resgata a corrente:
- paz e liberdade?

(o fogo é fátuo)
Enfrentar palavras com o rosto em riste
(não nos traz ao tempo)
Incentivar o ato consciente e são
Despejar coragem se o fim se esmera
Todo fanatismo é incoerente e mal

(Jogue ao chão)
Viver não é seguir
(falsos ideais)
Ouvir e conhecer
(Incentivar a ação)
E só então saber
Mas se há preconceito a destruição é igual

Quem?
Quem é igual?
Em cada ser vivo
Haver abrigo
Sustentar morada
Derrubar muralhas

Nos olhos fracos (quem?)
Nos sentimentos sujos (quem?)
Nas atitudes poucas
E se há preconceito a destruição é igual

Lavar as mãos
Fechar os olhos
Lamber as botas e morrer sorrindo
O caminho é curto pra quem busca a sorte
Se vender é o preço dos que não se empenham
Ser produto é o fato
Esquecimento: o legado.

Ankh
Criado em 2005 ou 2006, originalmente como uma composição da Venial de nome "Falsas Bandeiras Rasgadas".
Engavetada.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

H um ano

Procurei no tempo motivos para ser diferente.
Mudei minha indumentária, minha postura.
Mudei meu jeito de falar.
Meu trabalho.
Meus horários.
Evitei meus vícios sociais e auto-destrutivos, passei meses vivendo de forma saudável, procurando em mim o que, pela vida toda, encontrei nos outros.

Emagreci, cresci, envelheci e me tornei um pouco melhor enquanto ser humano.
Encontrei o que buscava, mas não encontrei felicidade.
Consegui me perdoar, aprendi a me respeitar novamente.

Com o passar do tempo regredi, voltei a beber, fumar, sair, exceder-me.
Busquei novamente nos outros o que não encontrava.

Cometi erros tentando fazer o certo, fiz pessoas felizes e infelizes na mesma proporção.

De volta à velha rotina, passei um tempo a esmo até reiniciar um processo que, até então, fora único em minha vida.
Cortei cigarros, cortei o excesso alcoólico (ou parte dele), parei de sair "todos os dias".

Mudei, mas sou o mesmo.
Continuo diferente, continuo sendo um chiste (e jocoso).
Mas agora, consciente, não espero ser igual, não busco nos outros o que está em mim.
Pena ter demorado tanto a ter essa consciência.
Encontrei felicidade: agora preciso me reencontrar, descobri qual dos muitos “eus” é o melhor a cultivar.
Aos demais, boa sorte.

Ankh
23-01-2009

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Que venha 2009.

Paulo colecionava gibis. Via todos os tipos de filmes e gostava de conversar sobre cenas, atores. Até escolhia alguns por conta do elenco. Ouvia música alta, de vários estilos. Conversava sobre política com alguns, sobre música com outros, sobre teatro, cinema, religião, sociedade, academia, trabalho, informática, games, RPG, tecnologia, física quântica, bandas: um assunto para cada grupo isolado, um entendimento supérfluo sobre todos.

Em sociedade, doava-se.
Gastava quase todo seu tempo livre com amigos e pessoas queridas, sorrindo, brincando, fazendo piadas. Nem sempre era o centro das atenções e, em verdade, quando tentava conversar sobre algo mais sério precisava lutar pela atenção de uns poucos.
Melodramático, falava alto, gesticulava, ria escandalosamente e dava sempre um jeito de fazer um trocadilho com algo proferido.
Não negava um copo de cerveja ou dizia não a um convite para momentos boêmios.
Abusou, mas até que era controlado. Trabalhava, era bom no que fazia. Ficava sóbrio de segunda a sexta, mas os excessos de vacância nos fins de semana eram cavalares.
Só não era bom com horários, gostava de dormir.

Cresceu assim, passou a maioria dos anos distante dos mais próximos e queridos.
Era aquele que todos gostavam, mas, com a incredibilidade que a presença de uma figura ímpar nos causa quando a percebemos apenas como um par, era ausente.
Não esteve nos melhores momentos das vidas de seus convivas.
Não participou da maioria das vitórias dos familiares.
Não foi convidado aos casamentos dos amigos, nem conheceu muito bem os filhos deles.
E só se deu conta disso quando os amigos começaram a se tornar apenas amigos de alguns amigos; quando as reuniões em grupo deixaram de ser parte de sua rotina; quando o respeito tornou-se o único elo com alguns: Sem apreço, sem convívio, sem saudades.

É engraçado falar dele no passado.
É engraçado pensar que ele pode ser aquele colega de trabalho que aparece cansado nas segundas-feiras, que ele pode ser aquele melhor amigo que a gente nem sempre vê porque está muito ocupado, ou aquela namorada que a gente não diz que ama porque se sente da mesma forma que com os pais: tem tanta certeza, que pensa não precisar dizer.
É engraçado pensar que ele pode ser qualquer uma das pessoas que conhecemos, seja próxima ou distante. Amigo, parente, colega, vizinho.

É engraçado falar dele.
É engraçado, mas não feliz.
Mantenhamos o verbo no passado.

Ankh
02-01-2009

Feliz ano novo!