Um herói a ser honrado, uma pessoa de participação ímpar na vida dos presentes, dos ausentes, dos omissos; de todos, enfim.
Ultimamente estou nostálgico: tenho visto relações familiares peculiares.
Vi pais e filhos se reconciliarem após anos de distância.
Vi filhos com respeito e apreço imensuráveis.
Vi pais surgirem, vi filhos se tornarem pais.
Vi amigos ganharem um adjetivo que admiro e respeito, e até arrisco dizer que um dia irei querer.
Vi pais se sacrificarem por filhos.
Vi filhos fugirem.
Vi filhos se revoltarem por amar demais seus pais e não quererem admitir.
Vi pais fugirem.
Vi pais e mães brigarem pelos filhos e vi filhos brigarem pelos pais.
Todos os dias eu vejo a vida sendo celebrada.
Há pouco fizeram 19 anos de saudades.
De carinho. De bons exemplos, de caminhos a seguir, de posturas.
Até mesmo naquilo que descobri não condizer com as realidades que acreditava serem verdadeiras, cresci e aprendi: do que não concordo, pude discernir o que não pretendo me tornar.
(Me ocorre discorrer sobre “ser filho”, mas não é o caso deste texto).
Já ouvi dizerem que os filhos são uma continuação dos pais.
Não iguais, até porque os caminhos, sejam eles quais forem, são sempre sujeitos à intempérie e aos obstáculos da natureza. O resultado é que a semente germinada nem sempre produz uma árvore igual – os galhos, as folhas e os ramos serão diferentes.
Celebro aqui o dia dos pais, independente do comércio implícito na data.
Ao dia de todos os pais:
Que lutam, que sacrificam.
Que discutem, que brigam, repreendem.
Que ensinam, sorriem, ajudam a levantar.
Que sofrem, que felicitam, que são admiráveis.
Que defendem, que são defendidos, que se ofendem e tomam dores.
Que fazem o que podem, mesmo quando não parece.
Que padecem pelas dores, que vibram pelas vitórias.
Que dão início ao caminho.
Que amam.
Aos pais que são, aos que serão, aos que precisam aprender a ser e aos que foram.
Às mães que são pais.
Ankh
Escrito em 04-08-2008